VI Conojus é encerrado em Florianópolis com destaque para humanização da Justiça

Abertura do VI Conojus

O Congresso Nacional dos Oficiais de Justiça (VI Conojus) teve seu encerramento em Florianópolis no dia 24 de abril de 2026. Este evento, que ocorreu no CentroSul entre os dias 22 e 24, trouxe um espaço para debates intensos sobre os desafios que os oficiais de justiça enfrentam atualmente no Brasil. Reunindo lideranças e representantes de diferentes entidades do setor, incluindo membros do Conselho Nacional de Justiça e autoridades judiciais, o congresso marcou um momento importante para a troca de ideias sobre a modernização e os valores profissionais na carreira jurídica.

A importância da humanização na Justiça

Durante o VI Conojus, a humanização da Justiça foi um dos focos principais das discussões. A desembargadora Quitéria Tamanini Vieira mencionou que o papel do oficial de justiça transcende a mera execução de mandados. Ela enfatizou que, ao conectar suas experiências com as dos jurisdicionados, os oficiais podem não apenas cumprir sua função, mas também promover transformação através do diálogo e do esclarecimento. Essa perspectiva humanística traz à tona a importância do contato direto entre os profissionais e os cidadãos, contribuindo for soluções consensuais e, muitas vezes, evitando a necessidade da aplicação de uma sentença.

Desafios enfrentados pelos oficiais de justiça

Os oficiais de justiça se deparam com uma série de desafios que impactam tanto a eficiência de seu trabalho quanto sua saúde mental. O desembargador Saul Steil, que atuou como oficial de justiça por 14 anos, destacou que esses profissionais são o elo entre o Estado e a sociedade, e exercem uma função crucial e de alta responsabilidade. A pressão para cumprir mandados de forma rápida e eficiente, junto à necessidade de respeitar os direitos dos jurisdicionados, são desafios que requerem não apenas habilidade técnica, mas também uma abordagem sensível e humanizada.

humanização da Justiça

Reflexões sobre tecnologia e justiça

O desembargador Alexandre Morais da Rosa trouxe à discussão a transformação que a tecnologia trouxe para a atuação dos oficiais de justiça. Ele argumentou que, na era digital, os oficiais deixaram de ser meros executores de ordens para se tornarem agentes de inteligência dentro do sistema judiciário. A necessidade de investimentos em tecnologia, como software e hardware, bem como em treinamentos adequados, é essencial para que essas novas demandas sejam atendidas de forma eficiente. O uso de recursos tecnológicos vai além de uma modernização superficial; trata-se de garantir condições adequadas de trabalho e refletir sobre o papel da tecnologia na justiça contemporânea.

O papel dos oficiais na conciliação

No painel intitulado “Resolver ou cumprir? O oficial de justiça no campo da conciliação”, a desembargadora Quitéria Tamanini Vieira ressaltou que o trabalho dos oficiais pode ser visto como uma oportunidade de promover conciliação e evitar litígios. Este aspecto da função é primordial, uma vez que a mediação e a conciliação são vitais para um sistema judicial mais humano e menos punitivo. A abordagem do oficial, que muitas vezes lida diretamente com as partes envolvidas, pode facilitar diálogos que levam a acordos mais satisfatórios para todos os envolvidos.



Valorização da carreira de oficial de justiça

A valorização das carreiras no setor judiciário foi um tema recorrente ao longo do congresso. Os desembargadores, ao compartilharem suas experiências pessoais, enfatizaram a importância da categoria dos oficiais de justiça. O reconhecimento institucional e as oportunidades de desenvolvimento profissional são fundamentais para motivar esses profissionais a continuarem investindo em sua qualificação e na melhoria dos serviços prestados. Promover uma cultura de valorização impacta diretamente na qualidade do trabalho e, consequentemente, na satisfação dos jurisdicionados.

Depoimentos de desembargadores

Os discursos dos desembargadores presentes no evento destacaram a relevância da prática humanizada dentro do sistema judiciário. O desembargador Altamiro de Oliveira expressou seu compromisso com a classe dos oficiais de justiça, enfatizando a necessidade de respeitar a função e as atribuições dos mesmos. Os relatos pessoais e as experiências vividas por estes magistrados contribuíram para reforçar a ideia de que, em um sistema que muitas vezes pode parecer impessoal, a humanidade deve ser um valor central a ser cultivado ao longo de todas as interações judiciárias.

Impactos das inovações tecnológicas

A implementação de novas tecnologias no Judiciário traz, sem dúvidas, diversos impactos. A era digital possibilita que processos se tornem mais eficientes, mas também exige que os profissionais se adaptem a novas realidades. É necessário que haja um equilíbrio entre a tradição do serviço público e a inovação, garantindo que a humanização não seja sacrificada em nome da eficiência. As palestras e debates do congresso indicaram que essa transformação é um caminho possível, desde que os oficiais de justiça sejam apoiados adequadamente nas mudanças.

O futuro da Justiça no Brasil

Refletindo sobre o futuro da Justiça no Brasil, os participantes do VI Conojus mostraram-se esperançosos quanto à evolução do sistema. A promoção da humanização e a adoção de novas tecnologias devem caminhar juntas para garantir uma justiça mais acessível, eficiente e que respeite a dignidade humana. A criação de espaços de diálogo, como o próprio congresso, é um passo fundamental na construção de um Judiciário que realmente escute e atenda às necessidades dos cidadãos.

Encaminhamentos e conclusões do evento

Ao final do VI Conojus, ficou claro que as discussões e aprendizados adquiridos ao longo dos três dias terão impactos significativos no dia a dia dos oficiais de justiça. O fortalecimento da humanização na Justiça, a valorização das carreiras e a adaptação às inovações tecnológicas foram pautas que não apenas estruturam a prática diária, mas também moldam o futuro da Justiça no Brasil. Os organizadores do evento, incluindo o Sindicato dos Oficiais de Justiça de Santa Catarina e a Federação das Entidades Sindicais de Oficiais de Justiça do Brasil, enfatizaram a importância de continuar promovendo espaços como esse, que capacitam e incentivam a troca de experiências entre os profissionais da área.